"150 MILHÕES DE ESCRAVOS" – NO TEATRO DA TRINDADE A DENÚNCIA DA NOVA ESCRAVATURA INFANTIL.
Escrito por Jorge Gaspar em Janeiro 9, 2018
150 MILHÕES DE ESCRAVOS
TEATRO DA TRINDADE INATEL
SALA EÇA DE QUEIROZ

Maria João Luís quer denunciar a nova escravatura infantil na peça “150 milhões de escravos”, que encena no Teatro da Trindade, em Lisboa, e que se estreia quarta-feira, dia 10.
A Amnistia Internacional, cifra em 153 milhões o total de crianças escravas no planeta. Maria João Luís, com base nesse número, construiu um espetáculo para denunciar a “dura realidade” “de que todos acabam por ser cúmplices, mesmo sem que se aperceberem”, como a própria referiu à agência Lusa.
“150 milhões de escravos”
Uma peça que pretende pôr todos a pensar além da sua zona de conforto, porque, segundo Maria João Luís, enquanto o conforto lá estiver, não pensamos nisso.
O espaço está marcado apenas por uma rampa e por uma paisagem lateral em plástico insuflável — que no final da peça sufocará o elenco.
Maria João Luís encena um drama que muitas vezes se socorre do movimento corporal, secundarizando a palavra sem que com isso deixe de transmitir mensagem.
A ação de “150 milhões de escravos” centra-se numa herdade com trabalhadores clandestinos, onde, a determinada altura, morre um trabalhador menor de idade. Como o proprietário da herdade tem aspirações políticas e não pretende sofrer consequências do incidente, acabam por matar os trabalhadores todos, para omitirem o que se passa na exploração agrícola.
“O que se passa naquela exploração agrícola não difere muito da realidade, porque quem explora a escravatura infantil é capaz de tudo. São grupos capazes de tudo”, sublinhou a atriz. Este trabalho foi ainda, segundo a encenadora, muito duro, já que todos os dias os atores diziam “eu não posso estar a dizer isto, eu não sou isto”.

Interpretação a cargo de Beatriz Godinho, Catarina Rôlo Salgueiro, Emanuel Arada, Ivo Alexandre, João Saboga, José Leite, Hélder Agapito, Lígia Soares e Teresa Sobral. A cenografia de Ângela Rocha, o vídeo, de Inês Oliveira, o movimento, de Paula Careto, e o desenho de som e de luz de José Peixoto e Pedro Domingos, respetivamente.
Coproduzida pelo Teatro da Trindade INATEL e pelo Teatro da Terra, em parceria com a Câmara Municipal de Ponte de Sor e o Museu do Neorrealismo, a peça vai estar em cena a partir de quinta-feira, dia 11, até 28 de janeiro, com espetáculos de quarta-feira a sábado, às 21h30, e aos domingos, às 16h30.