HOMENS SEM MULHERES – HARUKI MURAKAMI. E SETE HISTÓRIAS DE SOLIDÃO, MÁGOA E LUTO. COM MELANCOLIA.
Escrito por Jorge Gaspar em Novembro 5, 2017
Homens Sem Mulheres é composto por sete contos publicados pelo escritor japonês entre 2013 e 2014 e reunidos este ano no mercado internacional num único volume. É nessa condição que chega a Portugal.
A primeira história, Drive My Car, foi publicada em 2013 na revista japonesa Bungeishunju. As restantes incluem dois originais (um deles, o conto que dá título à obra) e quatro anteriormente publicadas na americana The New Yorker.
As histórias têm em comum vidas de homens solteiros, divorciados ou viúvos. Algumas das narrativas deixam pontas soltas. Murakami não responde a todas as perguntas, não conta tudo, há coisas que ficam por explicar. A mestria do escritor está em perceber-se que o fez de propósito (e não por falha) e em não deixar frustração no leitor por lhe estar a esconder coisas.
O livro arranca com Drive My Car. Nesta história, Kafuku, um actor veterano, contrata para motorista uma mulher de 24 anos chamada Misaki Watari. Devido a um problema de visão, ele não pode conduzir. A pouco e pouco, Kafuku vai contando à silenciosa Watari a sua vida, incluindo a íntima. Kafuku conta que é viúvo e que a mulher o traía, comportamento que nunca entendeu. Chegou a conhecer o último amante. Quis conhecê-lo, para saber quem era este homem, porque é que a mulher dormia com ele. Espantou-se por ele gostar tanto da sua mulher e ter sofrido tanto com a sua morte. Mas o que o intrigava mesmo era a razão por que a mulher traía. No fim, Watari fornece-lhe uma possível explicação.
Em Yesterday, um homem, Tanimura, recorda uma história antiga, quando era jovem e trabalhava num restaurante. Um dos colegas tinha uma relação de longa data com uma mulher, mas era uma relação estranha, assexuada. Um dia, esse colega pediu-lhe um favor: para sair com a sua namorada, só os dois. Acede relutantemente. Descobre que a mulher traía o colega. Dezesseis anos depois, Tanimura reencontra o colega. O que terá acontecido ao casal?
Xerazade é isso mesmo: uma versão moderna da clássica história. Kino é talvez o conto mais pungente do livro. É a história de Kino, um homem que abre um bar de jazz depois de apanhar a mulher na cama com outro homem. É também a história das estranhas personagens (pessoas e animais) que aparecem no bar.
Homens Sem Mulheres, a última história, começa à 1h da manhã, quando um homem recebe um telefonema. Uma mulher tinha-se suicidado. Quem estava a dar a notícia era o marido, que ele nem sabia que existia. Porquê tudo isto?

Homens sem mulheres
Haruki Murakami
Casa das Letras | 256 págs.