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MEDALHA MÉRITO CULTURAL PARA CRUZEIRO SEIXAS "DECANO DA ARTE PORTUGUESA"

Escrito por em Outubro 15, 2020

Cruzeiro Seixas foi agraciado com a medalha de Mérito Cultural, na Biblioteca Nacional de Portugal.

A sessão ocorreu no âmbito das celebrações do centenário do nascimento do artista e contou com a presença da ministra da Cultura, Graça Fonseca, a quem coube entregar a distinção.

O Ministério da Cultura considera que “a vida e obra de Cruzeiro Seixas representam um contributo incontestável para a cultura portuguesa”.

A Biblioteca Nacional de Portugal tem patente a exposição “O Tempo das Imagens III” que assinala os 35 anos do Centro Português de Serigrafia e que inclui uma sala dedicada à obra do artista, na qual pode ser vista a serigrafia comemorativa dos 100 anos do seu nascimento.

Cruzeiro Seixas, “decano da arte portuguesa e um dos grandes nomes do surrealismo europeu”, completa 100 anos no dia 3 de Dezembro. Na cerimónia, Graça Fonseca afirmou, citada no comunicado, que “mais do que a devida homenagem pública que estes gestos representam, é a cultura portuguesa que se eleva ao reconhecer aqueles que nela deixaram o seu registo inapagável, como Cruzeiro Seixas”.

Na cerimónia, a ministra da Cultura disse ao artista plástico que “a Medalha de Mérito Cultural constitui um reconhecimento institucional, mas é também um reconhecimento pessoal de alguém que se junta aos muitos que o admiram e que em si reconhecem um olhar que sempre viu mais longe e mais profundo”.

A Biblioteca Nacional de Portugal, onde decorreu a cerimónia, tem patente, até 31 de Dezembro, a exposição O Tempo das Imagens III, realizada no âmbito do 35.º aniversário do Centro Português de Serigrafia (CPS), com 99 obras de 77 artistas e que inclui uma sala totalmente dedicada à obra de Cruzeiro Seixas.

Artur do Cruzeiro Seixas, nascido na Amadora em 3 de Dezembro de 1929, ombreia com Mário Cesariny, Carlos Calvet e António Maria Lisboa, entre outros nomes iniciais, no “precurssionismo” do surrealismo em Portugal, e é autor de um vasto trabalho no campo do desenho e pintura, mas também na poesia, escultura e objectos/escultura.

Está representado em colecções como as do Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca Nacional de Portugal, Biblioteca de Tomar, Fundação Cupertino de Miranda, Museu Nacional Machado de Castro, em Coimbra, Museu Tavares Proença Júnior, em Castelo Branco, entre outros.

Em Junho, foi editado o primeiro volume da Obra Poética, de Cruzeiro Seixas, em quatro volumes, publicada no âmbito da colecção “Elogio da Sombra”, coordenada por Valter Hugo Mãe, para a Porto Editora, numa recolha organizada pela poetisa e escultora Isabel Meyrelles, outro nome do surrealismo português. Os três primeiros volumes da obra poética de Cruzeiro Seixas reúnem poemas já publicados, nomeadamente pelas Edições Quási, mas que se encontravam esgotados no mercado, e o quarto, que encerrará o projecto, colige inéditos e dispersos, disse à agência Lusa fonte da editora. O segundo volume deve chegar às livrarias no final do ano e, o terceiro, “nos inícios de 2021”.

Até 19 de Dezembro, está patente na Perve Galeria, em Lisboa, uma exposição dedicada ao centenário do nascimento de Cruzeiro Seixas, que participou numa mostra naquele espaço em 2006, em conjunto com os artistas Fernando José Francisco (1922-2008) e Mário Cesariny (1923-2006), seus companheiros do Grupo Surrealista de Lisboa, resultante da cisão do Movimento Surrealista Português, e participantes na primeira exposição d’ Os Surrealistas, em 1949. Esta exposição de 2006, viria a ser a derradeira mostra organizada em vida do poeta e artista plástico Mário Cesariny.