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"O QUOTIDIANO A SECAR EM VERSO" DE EUGÉNIA DE VASCONCELLOS.

Escrito por em Junho 21, 2018

Uma casa, um lugar: o coração, o tempo onde, afinal, existíssemos fora deste problema da habitação. É nómada a tua língua e a minha, dizemos palavras sem morada, desmontando a cada dia as tendas e a poesia sem retorno e sem adeus.
Não posso chegar nem a ti nem a Ele, nem deixar de caminhar para ti e até Ele. Vivo, amo e digo como quem reza, entre isto e a morte inscrevo o vazio da fé, nele levanto uma casa, um lugar: o coração.

EUGÉNIA DE VASCONCELLOS
Eugénia de Vasconcellos tem 45 anos – e gosta: diz que, para uma maioria de pessoas, os vinte e os trinta são uma chatice formativa de onde, às vezes, não se sai jamais. Porém dos enta em diante, a idade oferece a possibilidade de retorno à la carte ao paraíso adâmico, risonho e vagamente perverso, da infância. Com a vantagem de se regressar com uma biblioteca, não apenas de livros, mas daquilo de que eles são feitos no lugar mais interno das palavras: a vida por todos os lados e a arte nos espaços em branco. O Amor. Diz estar convicta de que melhor do que os 45 só os 46, 47 e por aí adiante. E que da sua boca não sai, ai quem me dera ter outra vez vinte anos. Só um: ai quando tiver cinquenta… Está segura de ter muita sorte: o melhor Cão do mundo é o seu. A melhor mãe e a melhor irmã. E os melhores diabinhos, perdão, sobrinhos, também. As melhores amigas. Se no cinema do céu caiu uma estrela, a ela caem-lhe pessoas com estrela. Podia cantar-lhes Cole Porter e Sinatra: you´re the top, you´re coliseum… Estudou Língua e Cultura Portuguesa e Psicologia Clínica. Todavia muito contrariada, já que na sua opinião, o ensino foi desperdiçado em si, excepto nos anos de colégio Católico e exclusivamente feminino onde aprendeu tudo o que ainda hoje lhe interessa: ler, ouvir, ver, e ganhar a corrida a que dá tem valor: a de fundo. Católica, diz não acreditar em Deus, sem mais. Acredita, sim, no amor e no poder de Deus manifestado no que de melhor o ser humano é, faz. É autora de A Casa da Compaixão, traduzido para o Catalão e publicado numa edição bilingue, e de Quem Pode Habitar em Teu Monte Sagrado. E tem poemas seus também em livros colectivos. Beijograd, poemas de amor de autores de língua portuguesa numa linha de cronológica de séculos, uma edição bilingue em português e sérvio. Em A Poesia é Para Comer entre pintura e receitas. E mesmo uma comunicação em A Cultura Light. Fez letras para músicas. Sabe que num dia escreverá de gosto fados. Tem alguns livros à espera para breve e algumas crónicas no jornal Público num passado recente. O seu futuro literário, poético, ensaístico, ou na imprensa, desconhece-o. Contudo tem uma certeza. É bom.
 

 
 

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