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O VIÚVO DE SALAZAR

Written by on Abril 28, 2021

No passado dia 25 de abril, na celebração do 47º aniversário da revolução dos cravos,
houve um deputado que se apresentou de cravo negro ao peito.
Julgou, por certo, que estaria a tomar uma posição muito corajosa e demolidora no
tocante ao regime em que vivemos, regime que para o ano fará quarenta e oito anos.
Tantos quantos os anos em que Portugal foi governado sob ditadura, isto é, de 1926 a
1974.

Da intervenção do referido deputado não farei menção pois que a qualidade de
tribuno parece que não foi uma das qualidades com que tenha nascido ou que tenha
exercitado. Ele grita, gesticula e tenta enlamear tudo o que seja democracia, visão
avançada do mundo ou cultura substantiva. Mas qualidade, qualidade, não a
conseguimos encontrar.
Foi quando percebi a razão do cravo negro ao peito. O ilustre deputado estava a
assumir-se como viúvo de Salazar.
Deve ter saudades da P.V.D.E. que depois se chamou P.I.D.E. e, por último, já com
Marcelo Caetano se passou a chamar D.G.S. Não, não era Direção Geral da Saúde, era
Direção Geral de Segurança. Mas uma coisa é verdade, tal como na P.V.D.E. e na
P.I.D.E., os seus sicários ‘tratavam da saúde’, com muito esmero e carinho, de todos
aqueles, mulheres ou homens, que tinham uma alma livre e lutavam contra um regime
tenebroso, doentio e antidemocrático.

O deputado viúvo deverá estar a fazer o luto de não haver desde o 25 de abril uma
instituição que torture física e psicologicamente os cidadãos que assumem a sua plena
cidadania. Estará a fazer o luto de já não haver quem arranque unhas a sangue frio,
que potencie a tortura do sono, que moa de pancada o corpo de quem teve a desdita
de cair em tão nobres e abençoadas mãos. Estará a fazer o luto das centenas de milhar
de pessoas que emigraram, uma boa parte a salto, nas décadas de 60 e 70 do século
passado. Estará a fazer o luto da repressão dos estudantes nas universidades ou da
proibição de se celebrar o 1º de maio, dia do trabalhador. Estará, com certeza, a fazer
o luto dos esbirros que assassinaram o General Humberto Delgado e a sua secretária,
ali na vizinha Espanha, com requintes de absoluta malvadez.

De uma coisa se esquece o deputado do cravo negro ao peito: é que se ele tivesse
vivido no tempo de Salazar nem sequer para polir as botas do ditador teria competência.

É que Salazar era um ditador cruel mas tinha cabeça e inteligência, coisa
que o viúvo de Salazar parece não ter. É um amante rejeitado e ainda não o sabe.

 

TWEETS COM CORAÇÃO
By MÁRIO MÁXIMO


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