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PROGRAMAÇÃO 5º FESTIVAL DE POESIA DE LISBOA 18 A 24 OUTUBRO

Escrito por em Setembro 6, 2020

PROGRAMAÇÃO

O V Festival de Poesia de Lisboa ganha sua primeira edição on-line devido à pandemia do Coronavírus.
Embora nossos encontros presenciais tenham sido anulados, preparamos uma programação muito especial para falar sobre o tema R-existir, a poesia como afirmação de nossa existência.
É importante destacar que todos os painéis são abertos ao público e transmitidos por instagram e facebook
Já as oficinas exigem inscrição prévia e serão realizadas via zoom.



Esta conversa será mediada pelas organizadoras do FPL – Jannini Rosa e Carla De Sà Morais-Gossuin – e pelo curador desta edição – Gustavo Prudente.
Conceição nos contará sobre sua humilde infância em Belo Horizonte – MG e em como ingressou no mundo acadêmico, sendo hoje Mestra em Literatura Brasileira, Doutora em Literatura Comparada e uma das autoras mais lidas no Brasil.
Também vamos falar sobre militância e o quanto ela foi fator determinante em sua produção literária, na luta contra o racismo e em suas próprias experiências – que ela poeticamente intitula escrevivências.

O encontro virtual será no dia 18/10, às 15h do horário de Brasilia e às 19h do horário de Lisboa, com transmissão on-line pelo facebook e pelo instagram.



Os povos originários já ocupam as terras brasileiras com sua rica cultura muito antes da invasão portuguesa. Da mesma forma, as diversas populações africanas forçadas a trabalhar como escravos trouxeram para o Brasil um tesouro cultural mais antigo que a dominação colonial. O levante negro e indígena, em áreas diversas como política, economia e as artes, não é uma novidade: é o resultado da R-Existência continuada de povos que vêm de muito longe.
Autoras como Conceição Evaristo, autora homenageada do V Festival de Poesia de Lisboa, são exemplos de como a poesia tem servido a esse levante. Seja por meio da denúncia ou da afirmação da vida, povos indígenas e negros têm usado a palavra poética para gerar obras que demarcam suas lutas históricas e, ao mesmo tempo, têm um valor literário que transcende o tempo e atravessam qualquer coração humano.



Neste encontro, o escritor pan-africanista Ermi Panzo compartilhará narrativas da poesia lusófona africana, apresentando poemas e autores que evidenciam o sujeito poético do cotidiano africano, sua história e sua cultura. Os participantes serão convidados a ler estes textos, identificando os diferentes tipos de manifestos que eles trazem consigo, em resposta à afirmação negroide como resistência.
A oficina será ministrada em sala fechada via zoom e poetas não inscritos no Festival de Poesia de Lisboa poderão participar com uma contribuição de BRL 50 ou EUR10.

 
Desde os tempos mais remotos, as mulheres escrevem. Mas por que temos tão poucas referências de mulheres escritoras quando estudamos diversos períodos literários? Por que os livros didáticos têm pouca ou senão nenhuma representação de autoria feminina?
 
Qual a importância de se afirmar enquanto mulher e autora, na literatura que se produz? Estas e outras questões serão tratadas neste painel que busca reconhecer o pioneirismo e o posicionamento das poetas dos tempos passados, que viveram em uma condição opressiva e repressiva ao lidar com questões impostas, como o casamento, a maternidade, o amor e a submissão.

Também falaremos sobre a produção literária contemporânea de mulheres ativistas como Ana Antunes, Maria Giulia Pinheiro e Mel Duarte, que vêm desenvolvendo um trabalho em prol da luta feminista em países de Língua Portuguesa e os desafios que enfrentam para continuar seus trabalhos independentes. 



Existem padrões poéticos que sustentam processos criativos e  identitários em constante re-invenção e re-escrita, numa procura de  ruptura com o estável, fixo e inerte.
Esses padrões são guiados em  função da intensidade com que @ poeta interliga identidade, raça, sexo,  sexualidade e papéis de género, posicionando-@, ou não, numa dimensão  mutável – em constante redefinição.
Este workshop servirá para  sugerir e analisar caminhos de escrita e interpretação da poesia, à luz  da identidade de quem a escreve e interpreta, com o objectivo de  identificar padrões contra a hegemonia de um discurso normativo, dentro  e fora do corpo d@ poeta. Para abordar o tema, a comunicação centra-se  nos poemas e experiências da autora, que levantará algumas questões  sobre vulnerabilidade, transgressão, oratura, identidade(s), memória,  entre outras.



Em “Contemporaníssima!”, Ingrid Martins, Naná de Luca, Preto Téo e João Innecco debatem como suas experiências como poetas LGBTQ+ marcam o seu fazer poético.
Como a vivência de ser lésbica, gay e/ou trans atravessa o conteúdo da literatura que produzem?
Como essa vivência enriquece os olhares que todos podemos ter para os diversos temas da vida humana? Como a poesia tem apoiado a comunidade LGBTQ+ a R-existir aos ataques históricos que vem recebendo?
E como tem sido usada para afirmar a vida e a expressão queer, em todas as suas nuances?



A Oficina de Escrita Poética da sessão Queer R-existe tem como objetivo deslocar os participantes de sua zona de conforto e abrir o olhar para a literatura lgbtqi+ e queer, repensando os padrões de linguagem e os formatos de fazer literatura. Sendo a linguagem uma ferramenta de transformação social e literária, também é através dela que podemos repensar mundos possíveis e nos reposicionar enquanto sujeitos.
Como textos geradores da criação – para debates da temática e produção poética dos participantes – partiremos de Amara Moira, Preto Teo, Ave Terrena, Angelica Freitas, Diogo Luiz Yamanishi, Ramon Nunes Mello, dentre outros fazedores de poesia contemporânea lgbtqi+/queer.
A metodologia utilizada por João perpassa a proposta triangular de Ana Mae Barbosa, readequada para soluções dinâmicas nesses tempos onlines em que o corpo está muito ausente das comunicações. 



A poesia cura.
A partir desta premissa, nossos poetas vão discutir neste painel o papel da escrita poética em diferentes contextos como luto, imigração, desemprego, transtornos psicológicos, perda de capacidade motora, dentre outras situações, que fazem com que muitxs se agarrem às letras e afrontem suas dificuldades com a delicadeza dos versos, transformando a dor em beleza e contribuindo, inconscientemente, para a vida de outras pessoas.



Onde o sensível mora no meu corpo? Como podemos atravessar a superfície da pele, desobstruir os sentidos e deixar que a vida venha ao nosso encontro? Como nos permitir ser tocados pelas belezas e sutilezas do cotidiano? 
Nesta oficina, vamos passar por um percurso de vivências e exercícios, que cada um poderá fazer de sua casa, para despertar a sensibilidade do corpo e transformá-la em versos poéticos. Este é um convite para apurar a nossa capacidade de perceber, mesmo na aridez dos dias, narrativas singelas e descobertas que podem transformar o instante, abraçando o grande mistério que é a vida em todas as suas nuances. 



A literatura para a primeira infância tende a se confundir com a literatura poética.
Por se valer de textos curtos, sem necessariamente precisar da complexidade narrativa da prosa, os livros para os pequeninos acabam se parecendo com (e muitas vezes são) poemas.
Mas apesar de seu caráter inspirador, essa literatura também pode estar cheia de estereótipos que vão na contramão da construção de um mundo mais equânime e justo.
Como reconhecer estereótipos e clichês sociais na literatura infantil? Como produzir textos que contribuam para a R-existência de pessoas e povos? Essas são as perguntas norteadoras dessa oficina teórica e prática, liderada por Gustavo Prudente, coordenador da Helvetia Jr.