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QUEM SABE DELES?

Escrito por em Fevereiro 13, 2021

 

Às vezes dou comigo a pensar na rapidez com que a fama
desaparece. Lembramo-nos das pessoas durante algum tempo e
anos depois já nem sabemos quem foram.

Há dois casos que eu recordo sempre.

A actriz Leónia Mendes trabalhou anos e anos no teatro de
revista, entrou em dezenas de filmes, programas de televisão.
Era engraçadíssima, alentejana de cepa. Dei-me muito com ela
em 1974, quando ela pertencia ao elenco da revista “Ó Pá, Pega
na Vassoura”, escrita pelo Zé Viana, o Rolo Duarte e o meu
marido. Passei noites a fio a acompanhar os ensaios todos, e vi
várias vezes a revista. E a Leónia fazia-nos rir a todos, era uma
alegria.

Os anos passaram, já devia ter morrido ,e comecei a tentar saber
quando. Ninguém sabia. Nem wikipedias, nem velhos
amigos—nada. Sabiam a data de nascimento e mais nada. Em
vários sítios até estava escrito “não se sabe quando morreu.”
Uma pessoa desaparece e ninguém dá por nada. Insisti durante
anos a fio—e só no ano passado é que alguém me disse que
tinha morrido em 2000.

O outro caso é o da Olinda Dulce, também actriz de revista.
Esse ainda foi pior porque me quiseram convencer que eu estava
maluquinha, que nunca tinha havido actriz nenhuma com esse
nome. Eu berrava que a tinha visto muitas vezes era eu miúda e
por isso gostava tanto dela porque ela também era uma miúda.

E contava a toda a gente como ela enchia um palco, e pulava e
dançava e cantava, era extraordinária.
Até o Luis Francisco Rebelo, que tinha escrito uma “História da
Revista ”, me garantia que nunca tinha existido uma actriz com
esse nome.

Então escrevi uma crónica no “Diário de Notícias” a dizer
exactamente isso, como é que nós fixamos nomes de pessoas
que nunca existiram, e contava a história toda.

Dias depois recebo uma carta de uma senhora que me dizia
“claro que existe, é minha cunhada, retirou-se muito cedo dos
palcos e vive na Suiça. Já lhe mandei o seu texto e ele ficou muito
contente.”

É assim. Se insistirmos…chegamos lá.

 

AS MINHAS HISTÓRIAS NAS “ONDAS DO ÉTER”

Alice Vieira


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